Bruno Nogueira

Blog sobre o grande (enorme) Bruno Nogueira, o melhor humorista português de todos os tempos! Neste blog iras encontrar sobre o "Bruninho", desde fotos, vídeos do levanta-te e ri onde participou e outros, saber todas as novidades! Este é um blog para todos os fans do Bruno Nogueira.

domingo, maio 04, 2008

"Os melhores actores"

Bruno Nogueira foi convidado por José Fragoso para desenvolver com as Produções Fictícias o mais recente projecto de humor da RTP1. Trouxe consigo aqueles que considera "os melhores actores" da sua geração para concretizarem "Os contemporâneos", o novo programa de humor do primeiro canal público, que estreia esta noite, em horário nobre.

"Quem escreve humor tem uma lupa mais aguçada"

Até uma peça de fruta pode ser alvo de uma piada de Bruno Nogueira. O humorista explica que aqueles que do fazer rir fazem profissão têm uma lupa mais aguçada para os pormenores do dia-a-dia. Neste ofício, também a improvisação é uma constante. E foi deste modo que surgiu a paródia a Francisco Pinto Balsemão, no 11.º aniversário da SIC, que lhe deu notoriedade. Agora é a vez de estrear um programa de humor, mas não sozinho. A ele juntam-se Maria Rueff, Nuno Lopes, Carla Vasconcelos, Gonçalo Waddington, Dinarte Branco, Eduardo Madeira e Nuno Markl.

Jornal de Notícias|Como estão a correr as gravações? Correspondem às expectativas?

Bruno Nogueira| Já conhecia a maior parte da equipa, mesmo de realização, mas estamos pela primeira vez a trabalhar juntos e a afinar tudo neste primeiro episódio, que é o mais complicado. Mas, felizmente, está a correr muito bem.

Como é que chegaram ao nome "Os contemporâneos" ?

Tínhamos pensado em vários. "Os contemporâneos" foi um nome que o Nuno Artur Silva sugeriu numa das últimas reuniões com a RTP. Primeiro, toda a gente estranhou um bocado, e confesso que ninguém achou assim real piada. Mas ele disse que se fôssemos para casa e se repetíssemos algumas vezes íamos acabar por achar alguma graça. E de facto, hoje em dia, gosto muito do nome.

Ainda no tempo do Nuno Santos na RTP1 falou-se que haveria um projecto para o Bruno Nogueira. Isso depois acabou por não se concretizar. Esta escolha de José Fragoso (actual director de Programas) deve-se ao cumprimento de um compromisso já assumido?

Não. O projecto falado foi outro, que por o Nuno Santos estar de saída para a SIC, e por uma série de outros motivos, nunca chegou a concretizar-se. Se bem que havia essa vontade de parte a parte. Meses mais tarde, o José Fragoso foi para a RTP e fez-me este convite e às Produções Fictícias (PF) que nada tinha a ver com o projecto original. Tinha a ver só com uma vontade de trabalhar comigo e com as PF.

Essa vontade já vinha do tempo da TSF?

Já tinha sido ele que me tinha convidado para a TSF. Eu gosto muito de fazer o programa na TSF. Tenho uma liberdade absoluta. Na RTP tem corrido muito bem. Obviamente, por ser em horário nobre e num canal do Estado, tenho de ter uma rédea um bocadinho mais curta, mas de qualquer maneira temos muita liberdade. Mas é como digo, ainda não foi para o ar o primeiro.

No seu blog "Corpo Dormente" explica que a Maria Rueff e o Nuno Lopes tinham sido escolhidos porque só fazia sentido fazer este programa com os melhores. Foram eleitos por si?

Foram nomes que sugeri ao Nuno Artur Silva, como também o do Gonçalo (Waddington), que eu acho um actor extraordinário ainda que menos ligado à comédia - e por isso mesmo é que eu acho que é uma surpresa -, o Dinarte Branco e a Carla Vasconcelos. À partida, achámos que era muito complicado juntar estes nomes, que para mim são dos melhores actores que temos da nossa geração. De qualquer maneira, achei que mais valia convidá-los e eles dizerem que não do que nem sequer chegar a fazer o convite. Fizemos a proposta e eles aceitaram. Fiquei muito contente por terem aceite, admiro muito o trabalho deles.

E como é que funciona a vossa relação com os guionistas? O Nuno Markl e o Eduardo Madeira fazem uma "perninha" no programa. O Bruno também participa na escrita. Há mais alguém que colabore nos textos, a Maria Rueff, por exemplo?

Não. Temos uma tónica óptima porque sugerimos aos autores temas, e aqueles que eles acham mais oportunos acabam por os desenvolver para depois tentar incluir no projecto. É sempre complicado porque há muitas ideias e o tempo não é assim tanto. Mesmo os actores que não escrevem sugerem ideias ou situações que depois os guionistas podem desenvolver. Eu participo mais nas partes independentes que tenho no programa, porque é complicado estar a tratar de 30 mil coisas e ainda escrever.

Nas promoções vemos o Nuno Lopes a imitar o tique do Scolari e a brincar com o "sketche" do "tcharam", que fazia no "Herman SIC". Tem medo que o Nuno se torne na figura central do programa, ou até a Maria, porque são duas pessoas que já têm experiência televisiva neste formato?

A mim, pouco me importa ter protagonismo. Se o programa for bom por causa deles, e se eu entrar cinco minutos, tanto faz. O que me interessa é que aquilo que aparece no programa seja bom. E uma vez que é, não tenho receio nenhum. Até ficaria muito contente que ficasse conhecido pelas melhores razões. E as melhores razões não têm que ser necessariamente as minhas.

Desviando-nos um bocadinho do programa, gostava que me falasse do "stand up comedy". O "Levanta-te e ri" popularizou o género. Agora desapareceu novamente dos ecrãs, apesar de haver muitos espectáculos pelo país fora. O que é que aconteceu?

Muitas das coisas que apareceram não eram "stand up comedy", apenas umas oito, nove pessoas. Não mais do que isso. Apareceram foi muitas pessoas a fazerem coisas engraçadas, ou que copiavam da internet, ou a contar anedotas, que são coisas completamente diferentes e que qualquer um faz. Nunca senti que houvesse um desaparecimento do fenómeno. Já não tem é aquela exposição que tinha quando havia um programa sobre isso na televisão. Não há muitas pessoas que façam "stand up". Não quer dizer que seja um talento ou falta disso. Quem faz, que eu conheça, tem sempre a casa cheia.

A sua carreira televisiva começou no "Curto circuito" (SIC Radical). Mas pode dizer-se que a "alavanca" foi a rábula ao "Senhor do bolo" (Pinto Balsemão) no 11º. aniversário da SIC?

Sim, terá sido a que me deu mais protagonismo. Também por ter sido num horário em que toda a gente estava a ver, e era sobre uma pessoa que toda a gente conhecia.

Houve ali improvisação?

Sim, a própria parte do senhor do bolo foi um improviso. Não estava nada escrito. São aquelas situações que acontecem no momento. Tinha visto um bolo e tinha percebido que seria o senhor Pinto Balsemão que o iria cortar. Por acaso disse e correu bem e depois repeti mais duas vezes durante o espectáculo, se não me engano. Partiu de um feliz improviso.

E além destes improvisos, onde é que o Bruno Nogueira vai buscar inspiração? Aos "cromos" da rua, à senhora da mercearia...

A tudo. Tudo pode servir de inspiração, mesmo os tiques das pessoas , as conversas, os pequenos trejeitos. Quem escreve humor tem uma lupa mais aguçada para ver essas coisas do que outras pessoas, que não vêem a comicidade desses momentos. Qualquer coisa serve para se fazer comédia. Depende do ponto de vista de quem vê. Eu posso olhar para uma peça de fruta e achar piada e outra pessoa vê só uma peça de fruta.
Fonte: JN
Autora: Ana Gaspar

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